Insights

Fernando Barra
Fundador & CEO da Skillplace e professor na Link School Of Business

O problema do excesso de informação – como minimizar os danos?

Nos dias atuais, assim como o consumo excessivo de açúcar e farinha pode afetar negativamente nossa saúde, o excesso de informação pode tornar nossa mente lenta, desfocada e inativa.

Contrariando a concepção comum, o “obeso cerebral” muitas vezes é uma pessoa altamente inteligente. Esses indivíduos, dedicados aos estudos e frequentadores assíduos de cursos, palestras e seminários, enfrentam um sério problema decorrente do excesso de informações que consomem.

A maioria desses estudiosos, apesar de acumular vasto conhecimento, acaba incapaz de colocar em prática sequer 1% do que aprenderam, sendo engolidos pelo excesso de informações. Quando esse excesso se combina com a falta de atitude, surge um quadro perigoso de obesidade cerebral.

Para contextualizar, uma criança de nove anos com um celular hoje tem acesso a mais informação do que o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tinha em 2009. A facilidade de acesso à informação torna-se uma armadilha quando nos perdemos em um bombardeio de conteúdo sem ação concreta.

O Desafio do Excesso de Informação

Já parou para pensar quantas vezes abrimos o celular em busca de uma informação específica e acabamos distraídos por mensagens no WhatsApp, Instagram ou TikTok?

Mesmo o consumo de informação demanda energia, e nosso cérebro, eficiente em sua administração, economiza energia ao não armazenar dados que não contribuem para experiências ou ações futuras.

Em resumo, tornamo-nos “fantasmas”, alimentando-nos de conteúdos desnecessários que logo são esquecidos.

Comparativamente, um cérebro obeso assemelha-se a um cérebro lento, desfocado e sem ação, similar a alguém que consome carboidratos em excesso sem praticar exercícios.

Como exercitar seu cérebro e ser mais inteligente?

Separei abaixo 3 dicas para treinar e deixar o seu cérebro “malhado”.

Em primeiro lugar, seja seletivo com o consumo de informação. Não queira comer tudo, toda hora!

Desta maneira, escolha o que vai consumir e qual objetivo do estudo em questão.

Lembre-se que o aprendizado contínuo é extremamente importante, mas querer saber de tudo certamente não te levará muito longe.

Assim sendo, procure escolher o que aprender e garanta que aquela informação será colocada em prática logo na sequência.

Independente de agir com maestria ou não, o nosso cérebro precisa receber uma recompensa por um esforço, isso faz com que ele fique atento e armazene aquela informação adequadamente.

“Prepare, atire e mire”

Como assim “prepare, atire e mire”? o correto não seria “Prepare, mire e atire”?

A resposta é não, pois se mirarmos demais, nunca saberemos onde esse tiro vai acertar e ficaremos a vida toda analisando, pensando, tentando encontrar o melhor momento para fazer aquilo que precisa ser feito.

Não estou falando aqui de atitudes imprudentes e impensadas, mas, sim, de atitudes que tenham risco gerenciado, pois assim como não há resultado sem risco calculado, não existe aprendizado sem prática.

Em segundo lugar, já que você não precisa saber tudo, utilize-se de conhecimento compartilhado.

De acordo com a sabedoria popular, o inteligente aprende com seus erros, mas, o sábio aprende com os erros dos outros.

Não perca tempo querendo saber tudo, muitas vezes a melhor pergunta não é “como” e sim “quem”.

Isto é, quem pode te ajudar com uma determinada informação? Quem é especialista neste assunto e poderia me dar uma simples aula? Quem pode fazer esta tarefa por mim?

O poder de uma equipe multidisciplinar ainda é muito pouco explorado.

Selecione bem o que você vai aprender e o que vai consumir de outras pessoas.

Não desperdice energia

Por fim, o terceiro e último aprendizado que gostaria que você levasse deste texto é que informação sem ação é puro desperdício de energia.

Foque toda sua atenção em consumir uma informação que vai te levar a uma ação!

Segundo pesquisas, o tempo médio de concentração de um animal é de 9 segundos, enquanto o da maioria das pessoas é de apenas 8.

Nossa capacidade de concentração vem diminuindo, e esse é um dos grandes motivos para você focar nas coisas que são importantes para te levar aonde quer chegar.

Como diz Herbert Simon, vencedor do Prêmio Nobel de Economia, “A informação consome a atenção do receptor”. Uma riqueza de informação cria uma pobreza de atenção.”